sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Perdeu a visão após plástica: Médico famoso é condenado a pagar R$ 162 mil e pensão vitalícia a paciente

Paciente perde a visão após lipoaspiração e abdominoplastia, e Justiça condena cirurgião a pagar R$ 162 mil, pensão vitalícia e despesas por falha no pós-operatório | 

Um cirurgião plástico foi condenado pela Justiça de São Paulo a indenizar uma paciente que perdeu a visão após complicações de uma lipoaspiração associada a uma abdominoplastia. A decisão aponta negligência no pós-operatório, ao não diagnosticar um quadro de anemia aguda que teria levado à lesão. A informação é da Folha de São Paulo.

Indenização e pensão vitalícia
O médico Renato Tatagiba Garcia, famoso nas redes socias, foi condenado a pagar R$ 162,1 mil por danos morais. A sentença também determina o pagamento de pensão vitalícia equivalente a três salários-mínimos, a partir de 30 de abril de 2021, data da cirurgia, além do reembolso das despesas relacionadas ao caso.

A paciente, uma gerente de vendas estrangeira naturalizada brasileira, perdeu totalmente a visão do olho esquerdo e cerca de dois terços da visão do direito.

Procedimento e início dos sintomas
Segundo o processo, a mulher conheceu o médico pelas redes sociais, onde ele reunia cerca de 156 mil seguidores. Após a consulta na clínica Femme, da qual ele é sócio, a cirurgia foi realizada quatro dias depois, em um hospital particular na zona sul da capital paulista.

No dia seguinte ao procedimento, ainda internada, a paciente relatou tontura e olhos roxos. De acordo com a ação, não houve avaliação clínica nem solicitação de exames. Ela afirma que o médico permaneceu apenas três minutos no quarto antes de conceder alta.

"A autora do processo teve alta sem qualquer avaliação do seu real estado", disse à Justiça o advogado da paciente, Paulo Mariano de Almeida Júnior.

Perda de visão e laudo pericial.

Dois dias após a cirurgia, a paciente perdeu subitamente a visão do olho esquerdo. No dia seguinte, passou a apresentar dificuldade para enxergar com o olho direito. Conforme o processo, ela tentou contato com o médico, sem sucesso, e buscou atendimento na clínica, onde foi informada por uma funcionária de que a perda visual não teria relação com a cirurgia.

Um laudo pericial produzido por determinação judicial concluiu que a cegueira ocorreu em decorrência do procedimento. A perícia apontou perda significativa de sangue durante a cirurgia e indicou que a lesão foi causada por isquemia dos nervos ópticos provocada por anemia aguda.

"Caso a anemia aguda tivesse sido diagnosticada e tratada tempestivamente, haveria chances de a paciente não evoluir com a deficiência visual", afirmou a perita Irene Pantaleão. "É incontroverso que a conduta omissiva do médico requerido quando da alta médica hospitalar, ao não documentar a presença da grave anemia, guarda nexo com a perda visual."

Defesa contesta decisão

A defesa do cirurgião informou que vai recorrer da decisão. Em nota, o advogado Celso Papaleo afirmou: "Permanecemos convictos da absoluta correção da conduta médica adotada no caso e acreditamos que a condenação será revertida pelo tribunal em sede de apelação, após o reexame das provas e dos fundamentos técnicos constantes dos autos".


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