Os bancários podem transformar a paralisação de 24 horas realizada nesta quinta-feira (20) em uma greve por tempo indeterminado caso não haja avanço nas negociações com os bancos.
Em entrevista ao BNews, o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia (SBBA), Elder Perez, afirmou que a mobilização teve adesão no estado e que a categoria está preparada para endurecer o movimento durante a nova rodada de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), marcada para começar na segunda-feira (24).
Segundo Perez, a paralisação foi a maior mobilização conjunta da campanha salarial até agora. Ele afirmou que a Caixa Econômica Federal fechou todas as unidades em Salvador, enquanto o Banco do Brasil teve um percentual considerado elevado de adesão. No Banco do Nordeste (BNB), apenas uma agência teria permanecido em funcionamento na capital.
"Mas há uma disposição muito grande para o enfrentamento. Essa foi a nossa grande paralisação dessa campanha salarial. É importante dizer que não foi a primeira, mas foi a primeira envolvendo todos os bancos públicos e privados de uma só vez", afirmou.
Negociações entram em semana decisiva
De acordo com o presidente do SBBA, a paralisação pressionou a Fenaban e resultou na definição de um novo calendário de negociações. As rodadas estão previstas para ocorrer diariamente entre segunda e sexta-feira da próxima semana.
Perez também destacou que a data-base da categoria é 1º de setembro e citou o fim da ultratividade como um dos pontos de preocupação para os trabalhadores.
"A nossa data-base é em 1º de setembro. Nós temos, portanto, esse risco, né, de perder todos os nossos direitos, caso a gente não feche a campanha salarial até 1° de setembro", disse.
Caso não haja uma proposta até o fim de agosto, o sindicalista afirmou que a mobilização poderá crescer: "Agora, se não sair, acho que o movimento tende a aumentar, e, para uma paralisação total".
Segundo ele, a ideia de greve envolve a suspensão da produção bancária, incluindo a venda de produtos, o cumprimento de metas e a realização de operações.
Fechamento de agências preocupa sindicato
Outro ponto de tensão é o fechamento de agências bancárias, especialmente em municípios onde existe apenas uma unidade. Perez afirmou que o sindicato conseguiu impedir o encerramento de agências em Ubatã, Chorrochó e Macururé, por meio de articulações com autoridades locais e medidas judiciais.
O sindicalista criticou a substituição do atendimento presencial pelos serviços digitais, principalmente em regiões com população rural, idosos e pessoas com dificuldades de locomoção ou acesso à internet.
"Existe uma demanda para o atendimento presencial e isso é constatado em idas às agências bancárias, principalmente, no final do mês, no início do mês. A gente observa esse aumento significativo nas agências bancárias", avaliou.
Perez também citou uma atuação conjunta com o Procon em uma agência do Banco Itaú na Calçada, em Salvador. Segundo ele, após registros feitos pelo sindicato e uma denúncia formal ao órgão, a unidade foi autuada e o banco teria sido obrigado a ampliar o número de funcionários no local.
Saúde Caixa e planos de carreira aumentam insatisfação
Além da negociação geral com a Fenaban, os funcionários de bancos públicos enfrentam reivindicações específicas.
Na Caixa Econômica Federal, Perez afirmou que uma das principais insatisfações está relacionada ao Saúde Caixa. Segundo ele, a proposta discutida prevê, em média, a duplicação do valor pago pelo plano de saúde.
"Ou seja, esse aumento de 100% nos planos de saúde da Caixa, no Saúde Caixa, vai fazer com que qualquer aumento que a gente tenha, seja absorvido pela mensalidade do plano de saúde", protestou.
No Banco do Brasil, o sindicalista apontou problemas considerados importantes pela categoria. Já no Banco do Nordeste, citou questões relacionadas à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e ao plano de cargos e salários.
Para Perez, as negociações específicas se somam à insatisfação existente na mesa geral com os bancos.
"Então, a retirada de direitos, é a proposta de precarizar as condições de trabalho e de dividir a categoria também", disse.
Sindicato admite greve por tempo indeterminado
Com a nova rodada de negociações começando na segunda-feira, o sindicato afirma que acompanhará a postura dos bancos antes de definir os próximos passos.
Perez afirmou que a paralisação desta quinta-feira demonstrou uma disposição significativa dos trabalhadores dos bancos públicos e privados para ampliar o movimento.
"Então, é possível, sim, que nós decretemos um estado, um estado não, decretemos greve por tempo indeterminado, a depender do comportamento dos bancos para com seus trabalhadores e trabalhadoras", finalizou.

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