segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Anvisa emite alerta sobre risco de uso de canetas emagrecedoras após casos de pancreatite

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de para reforçar os riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras. Fazem parte da categoria todos os medicamentos agonistas do receptor GLP‑1 — classe que inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida. Embora o risco já conste nas bulas aprovadas no Brasil, as notificações têm aumentado no cenário internacional e nacional, o que exige reforço das orientações de segurança

Conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, a Anvisa alerta que esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado. O devido monitoramento médico é motivado justamente pelo risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais. Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula.

Recentemente a autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) informou que registrou, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite relacionadas aos usuários desses medicamentos, incluindo 19 óbitos. No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, houve o registro de 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.

A preocupação com esses eventos foi um dos motivos para a Anvisa determinar, em junho de 2025, que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos, conforme a RDC nº 973/2025 e a IN nº 360/2025. Desde então, a prescrição médica passou a ser feita em duas vias, e a venda só pode ocorrer com a retenção da receita na farmácia ou drogaria, assim como acontece com os antibióticos. A validade das receitas é de até 90 dias, a partir da data de emissão.

A decisão teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, visto que foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas. A Anvisa destaca que o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves.

A Agência recomenda que os usuários desses medicamentos procurem atendimento médico imediato, em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos — sintomas sugestivos de pancreatite. Os profissionais de saúde devem interromper o tratamento, ao suspeitar da reação, e não dar prosseguimento, caso o diagnóstico seja confirmado. A Anvisa reforça ainda a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed, o que contribui para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no país, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional.

Nos últimos anos, a Anvisa já havia emitido outros alertas relacionados aos agonistas de GLP‑1. Riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos (2024) e perda de visão rara associada à semaglutida (2025) foram alguns desses alertas, o que demonstra o monitoramento constante dessa classe terapêutica.

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