quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Mulher em estado grave após usar caneta emagrecedora do Paraguai

Uma mulher de 42 anos, moradora de Belo Horizonte (MG), está internada em estado grave desde dezembro após apresentar complicações severas associadas ao uso de uma caneta emagrecedora vendida de forma ilegal. Segundo familiares, o medicamento foi adquirido no Paraguai e utilizado sem prescrição médica.

A auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes deu entrada inicialmente no hospital com fortes dores abdominais, quadro que evoluiu rapidamente para problemas neurológicos. A suspeita médica é de que ela tenha desenvolvido uma síndrome que compromete a musculatura, os movimentos do corpo, a fala e o funcionamento de órgãos.

De acordo com a família, exames apontaram intoxicação medicamentosa. Uma ampola do produto foi levada ao Hospital João XXIII para análise, mas não foi possível identificar a substância, já que se tratava de um medicamento sem registro no Brasil. “Lá eles não conseguiram fazer a análise porque era um medicamento do Paraguai”, relatou a filha, Dhulia Antunes.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que nem todas as canetas emagrecedoras podem ser comercializadas no país. Quando o produto não é regulamentado, não há garantia sobre procedência, composição ou eficácia, além do risco de o paciente ingerir uma substância diferente da informada no rótulo.

Especialistas reforçam que, quando indicadas por médico, essas medicações podem auxiliar no tratamento da obesidade, mas o uso indiscriminado e a compra por revendedores não autorizados oferecem riscos graves à saúde. “Quando você não conhece a procedência do medicamento, ele pode conter qualquer substância”, explicou o endocrinologista Márcio Lauria, que recomenda a compra exclusivamente em farmácias.

Fiscalização e denúncias

Em nota, a Anvisa informou que a fiscalização de clínicas e estabelecimentos cabe às vigilâncias sanitárias municipais. A Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que, ao identificar irregularidades na venda ou aplicação de medicamentos, apreende os produtos, aplica multas e pode interditar os locais. As ações incluem a verificação da procedência, autenticidade, armazenamento e habilitação do estabelecimento.

O município também reforçou a importância de denunciar práticas irregulares pelos canais oficiais, como o portal de serviços e o telefone 156.

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