Uma menina de dois anos, Sophia Andrade da Silva, sofreu graves sequelas após levar um choque elétrico em uma tomada de sua casa em Santos, no litoral de São Paulo. O acidente ocorreu em 19 de dezembro de 2024, quando a criança, então com 1 ano e 11 meses, acordou silenciosamente e colocou a mão na tomada enquanto o pai dormia ao lado.
Hoje ela não fala mais, não está andando, não consegue segurar o tronco, cabeça. Ela está tomando remédio e fazendo fisioterapia", relatou ao G1 a mãe, Shirley de Jesus Andrade, de 26 anos. O pai acordou com cheiro de queimado e encontrou a menina desacordada. Sophia foi levada à UPA Central, onde sofreu uma parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimada.
Segundo laudo médico, a criança teve anóxia cerebral (falta de oxigênio no cérebro) e desenvolveu tetraparesia espástica, com perda de força nos quatro membros e controle do tronco. Sophia ficou internada por dois meses - uma semana entubada na UTI da Santa Casa de Santos e mais tempo em enfermaria.
Antes do acidente, Shirley trabalhava em um salão de beleza, mas precisou parar para cuidar da filha, que agora toma quatro remédios diários, incluindo canabidiol. "É horrível. Isso me mata todos os dias, ver minha filha assim", desabafou a mãe, lembrando que Sophia era uma criança precoce, que andou e falou cedo.
Desafios da família
A família aguarda na fila do SUS por uma cadeira de rodas, que pode demorar até 18 meses. Enquanto isso, Shirley carrega a filha de 16 kg no colo, o que já afeta sua coluna. Amigos e parentes organizam rifas para ajudar nos custos.
Médicos recomendaram um tratamento de estimulação transcraniana por corrente contínua, que custa cerca de R$ 5 mil a cada 10 sessões. "Ela está sendo guerreira, minha filha é um milagre", disse Shirley, mantendo a esperança na recuperação.
Riscos de choque elétrico
Choques podem causar parada cardíaca e danos cerebrais permanentes, segundo especialistas. A tetrapasia acontece quando há perda de força nos membros e que o tratamento com eletrodos busca ativar células cerebrais sobreviventes.
A Santa Casa confirmou a internação e alta da paciente, enquanto a Secretaria de Saúde de Santos informou que o processo para aquisição da cadeira de rodas segue os trâmites legais.