Uma funcionária de um supermercadoAssaí, em Piracicaba, no interior de São Paulo, teria sido demitida após esperar 1h30 para conseguir ir ao banheiro durante o expediente.
O episódio faz parte de uma série de denúncias de irregularidades trabalhistas que levaram a Justiça do Trabalho a condenar a rede ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais coletivos.
O caso chamou a atenção durante uma investigação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Dos 30 funcionários ouvidos em um levantamento, 24 relataram longas esperas para utilizar o banheiro. Outra trabalhadora afirmou ter urinado na própria roupa enquanto atendia no caixa, por não conseguir deixar o posto a tempo.
A ação civil pública foi movida pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Piracicaba (Sincomerciários) contra a Sendas Distribuidora S.A., responsável pela rede Assaí. A sentença foi proferida em 28 de outubro pelo juiz Bruno Furtado Silveira, da 1ª Vara do Trabalho de Piracicaba. A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.
Funcionária teria sido demitida após esperar para ir ao banheiro
Segundo o Cerest, a trabalhadora aguardou a liberação da chefia para deixar o caixa, mas, sem conseguir esperar mais, colocou uma placa de sinalização no posto e foi ao banheiro. Ela teria sido dispensada em razão da atitude.
O levantamento também identificou outros problemas nas condições de trabalho da unidade. As denúncias foram feitas por funcionários ao sindicato e ao Cerest em 2024, principalmente por operadores de caixa.
Além das restrições para utilizar o banheiro, os trabalhadores relataram assédio, cobranças excessivas e a realização de tarefas que não faziam parte de suas funções.
Levantamento apontou assédio e pressão sobre funcionários
Um questionário anônimo respondido por 30 empregados revelou a dimensão das reclamações:
25 trabalhadores afirmaram realizar atividades fora de suas funções, como recolher carrinhos no estacionamento, repor mercadorias e limpar prateleiras.
20 funcionários disseram ter sofrido ou presenciado situações de assédio praticadas por superiores.
29 empregados relataram pressão para atingir metas, incluindo xingamentos e humilhações diante de clientes.
25 trabalhadores apontaram tratamento desigual, com favorecimento de determinados funcionários.
19 empregados afirmaram não encontrar abertura para conversar com o setor de recursos humanos.
Também foram denunciadas mudanças repentinas nos horários de trabalho e o descumprimento das escalas de folga.
Na sentença, o magistrado considerou que as provas demonstraram o descumprimento de condições adequadas de saúde e bem-estar no ambiente de trabalho.