Uma nova modalidade de fraude altera de forma imperceptível o QR code do Pix nas páginas de pagamento de lojas virtuais, segundo alerta da empresa de segurança Kaspersky antecipado pela Folha.
O vírus, descoberto em 1º de setembro pelo pesquisador de segurança independente chamado de "eremit4", substitui o código Pix original gerado pela loja online por um fraudulento no momento de pagamento, desviando o dinheiro da vítima diretamente para a conta de golpistas.
"É o novo magecart brasileiro", escreveu o pesquisador em referência a uma modalidade tradicional de fraudes para roubar dados de cartão de crédito.
"Os criminosos evoluíram de leitura de cartão para sequestro de Pix em tempo real, trocando QR codes durante a conclusão da compra para redirecionar os pagamentos", afirmou o pesquisador independente em uma publicação no X (ex-Twitter).
A Kaspersky verificou o trabalho de eremit4 e detectou 90 sites de ecommerce de pequeno e médio porte infectados no Brasil que usam uma plataforma gratuita chamada Magento.
"Como o criminoso infecta o site e não o computador da vítima, o potencial de estrago é muito maior e atinge todos os clientes", diz Fabio Assolini, diretor do time de investigação da empresa de cibersegurança na América Latina.
"A troca do QR code não deixa nenhum indício visual", diz o especialista. O código do Pix Copia e Cola também é alterado a fim de prejudicar quem acessa o ecommerce pelo celular.
Para se proteger, o comprador deve checar o destinatário do Pix antes de confirmar a transação. "O problema é que em sites menores, o pagamento nem sempre vai para o nome fantasia daquela loja, o registro pode estar no nome do dono", alerta Assolini.
De acordo com ele, alguns comerciantes afetados pelo vírus já perceberam os prejuízos ao verificar um número maior na desistência de compras e passaram a informar o CNPJ e o nome da empresa para checagem do cliente. Outros passaram a direcionar as pessoas para plataformas de pagamento terceiras.
Em casos de fraudes, o Banco Central recomenda o uso do mecanismo especial de devolução (MED) do Pix, que consegue rastrear a transação por até cinco transferências. No entanto, quanto mais os clientes demoram a perceber a fraude, mais tempo os estelionatários têm para distribuir a quantia extraviada entre diferentes contas e dificultar o retorno.
Embora o correntista tenha um prazo de 80 dias para fazer a solicitação, os estelionatários distribuem o dinheiro em dezenas de contas laranja em poucas horas.
"Os criminosos sabem que o limite de transferências rastreáveis é de cinco passagens. O MED é válido quando a pessoa percebe rapidamente", diz Assolini.
Segundo o diretor da Kaspersky, os criminosos costumam ter mais de 50 contas de "testas de ferro" em operações como essa. "Perder duas ou três durante o crime está nos planos."
Informes do Banco Central recomendam fazer a solicitação de MED de qualquer forma para ajudar as instituições financeiras a identificar as contas laranja.