O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5), após perder o apoio de aliados e ver todas as bancadas da Câmara dos Deputados anunciarem apoio ao seu impeachment. A pressão pela saída cresceu com o fechamento do banco digital Ueno, que deixou clientes sem acesso ao próprio dinheiro.
Em vídeo, Peña pediu desculpas e afirmou que decidiu deixar o cargo pela estabilidade do país. "Hoje, devemos mostrar, mais uma vez, que respeitamos a democracia", disse.
O Congresso havia iniciado, pela manhã, uma sessão extraordinária para discutir o impeachment, solicitado por 35 deputados. Entre os líderes que retiraram o apoio ao presidente estavam Basilio Nuñez, presidente do Congresso, e Horacio Cartes, líder do Partido Colorado.
Economista e conservador, Peña governava o Paraguai desde 2023 e foi acionista do grupo proprietário do Ueno até março de 2025. A oposição o acusa de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, além de apontar que o Banco Central teria encoberto irregularidades.
O Ueno fechou as portas na terça-feira (3), após o Banco Central iniciar sua liquidação. A autoridade monetária identificou falta de recursos para cobrir as obrigações da instituição, relacionada a empréstimos a empresas vinculadas ao banco.
Com cerca de 3 milhões de clientes, o Ueno concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. A Procuradoria acusou formalmente 27 pessoas ligadas à instituição, e a Justiça determinou o bloqueio de bens dos acusados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário