sábado, 7 de novembro de 2026

Funcionária do Assaí teria sido demitida após esperar 1h30 para ir ao banheiro; Justiça condena rede a pagar R$ 50 mil

Uma funcionária de um supermercadoAssaí, em Piracicaba, no interior de São Paulo, teria sido demitida após esperar 1h30 para conseguir ir ao banheiro durante o expediente.

O episódio faz parte de uma série de denúncias de irregularidades trabalhistas que levaram a Justiça do Trabalho a condenar a rede ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais coletivos.

O caso chamou a atenção durante uma investigação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest). Dos 30 funcionários ouvidos em um levantamento, 24 relataram longas esperas para utilizar o banheiro. Outra trabalhadora afirmou ter urinado na própria roupa enquanto atendia no caixa, por não conseguir deixar o posto a tempo.

A ação civil pública foi movida pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Piracicaba (Sincomerciários) contra a Sendas Distribuidora S.A., responsável pela rede Assaí. A sentença foi proferida em 28 de outubro pelo juiz Bruno Furtado Silveira, da 1ª Vara do Trabalho de Piracicaba. A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.

Funcionária teria sido demitida após esperar para ir ao banheiro

Segundo o Cerest, a trabalhadora aguardou a liberação da chefia para deixar o caixa, mas, sem conseguir esperar mais, colocou uma placa de sinalização no posto e foi ao banheiro. Ela teria sido dispensada em razão da atitude.

O levantamento também identificou outros problemas nas condições de trabalho da unidade. As denúncias foram feitas por funcionários ao sindicato e ao Cerest em 2024, principalmente por operadores de caixa.

Além das restrições para utilizar o banheiro, os trabalhadores relataram assédio, cobranças excessivas e a realização de tarefas que não faziam parte de suas funções.

Levantamento apontou assédio e pressão sobre funcionários

Um questionário anônimo respondido por 30 empregados revelou a dimensão das reclamações:

25 trabalhadores afirmaram realizar atividades fora de suas funções, como recolher carrinhos no estacionamento, repor mercadorias e limpar prateleiras.

20 funcionários disseram ter sofrido ou presenciado situações de assédio praticadas por superiores.

29 empregados relataram pressão para atingir metas, incluindo xingamentos e humilhações diante de clientes.

25 trabalhadores apontaram tratamento desigual, com favorecimento de determinados funcionários.

19 empregados afirmaram não encontrar abertura para conversar com o setor de recursos humanos.

Também foram denunciadas mudanças repentinas nos horários de trabalho e o descumprimento das escalas de folga.

Na sentença, o magistrado considerou que as provas demonstraram o descumprimento de condições adequadas de saúde e bem-estar no ambiente de trabalho.

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