domingo, 20 de setembro de 2026

Pacientes com câncer são vítimas de suspeita de falsificação de remédios e fraude em licitações

Pacientes em tratamento contra o câncer se tornaram vítimas de um crime cruel em várias cidades do Brasil. A polícia investiga empresários, advogados e funcionários da área da saúde que estariam envolvidos em esquemas de fraude em licitações para compra de medicação, superfaturamento e até suspeita de falsificação de remédios.

Em 29 de junho, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpriu 56 mandados de busca e apreensão em imóveis de investigados. O Fantástico acompanhou toda a ação na casa do principal alvo da Operação Placebo.

Lisandro Henriques Hermes é empresário e trabalha com distribuição de remédios. Ele foi preso em flagrante. Na casa dele, foram encontradas caixas e caixas de remédios com indícios de adulteração. O suspeito nega envolvimento no caso.

"Ele relata que era para destruição. No entanto, aqueles medicamentos encontrados lá não tinham nenhuma identificação, de modo que ele poderia imprimir na cartela o que ele quisesse", afirma o delegado Daniel Severo.

A suspeita surgiu no Hospital Santa Casa de Caridade de São Gabriel, no interior do Rio Grande do Sul. Funcionários do setor oncológico suspeitaram de um lote de medicamentos e chamaram a polícia.

De acordo com a polícia, os indícios de falsificação são grandes, desde erros de grafia, coloração e textura até caixa e bula com idiomas diferentes.

"O próprio laboratório recebeu uma amostra, e por isso o laboratório entrou em contato comigo para dizer que eles tinham visto que era falso já", diz o delegado. A distribuição de todo o lote foi imediatamente suspensa.

Esquema envolvia profissionais da saúde

O remédio seria usado por dona Maria Jupira, que tratava um câncer no pulmão.

As filhas dela contam que o medicamento não estava disponível pelo SUS. Por isso, a família contratou um advogado, indicado pelo médico de dona Maria, para entrar na Justiça e conseguir que o Estado financiasse a compra.

O laboratório que produz o medicamento não reconheceu como legítimo o lote encontrado na Santa Casa.

Com a apreensão do remédio, as filhas contam que dona Maria ficou sem tratamento adequado por dois meses. Depois desse período, ela recebeu outras medicações, mas morreu aos 57 anos.

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