quarta-feira, 8 de julho de 2026

Copa do Mundo Feminina vai mudar o calendário escolar na Bahia; entenda

O calendário escolar das redes pública e privada da Bahia poderá sofrer alterações em 2027 em razão da realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA. A mudança está prevista na Lei nº 15.421/2026, que determina que as férias escolares coincidam com o período da competição e autoriza a decretação de feriados nacionais nos dias de jogos da seleção brasileira.

Pela legislação, as férias escolares deverão ocorrer entre 24 de junho e 25 de julho de 2027, período em que será disputado o torneio.

O Brasil sediará a competição pela primeira vez, tornando-se o primeiro país da América do Sul a receber uma edição da Copa do Mundo Feminina.

As partidas serão disputadas em oito cidades:

Belo Horizonte (Mineirão)

Brasília (Estádio Nacional)

Fortaleza (Arena Castelão)

Porto Alegre (Beira-Rio)

Recife (Arena de Pernambuco)

Rio de Janeiro (Maracanã)

Salvador (Arena Fonte Nova)

São Paulo (Neo Química Arena).

Na Bahia, a discussão ganha ainda mais relevância por causa das tradicionais férias juninas - uma das culturas de São João mais fortes do país. Em anos normais, as escolas suspendem as atividades durante os festejos juninos e retomam as aulas para concluir o semestre em julho.

Jogos da Copa do Mundo 2027 em Salvador serão realizados na Arena Fonte Nova

Em 2027, porém, o recesso ocorrerá justamente no auge das comemorações de São João e os estudantes só deverão retornar às salas de aula perto do início de agosto.

Em Salvador, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe-BA) informou que enviará, até o fim de julho, uma proposta oficial de calendário para as escolas particulares da capital.

A expectativa da entidade é que o Conselho Nacional de Educação (CNE) adote um modelo semelhante ao utilizado durante a Copa do Mundo de 2014. Na ocasião, as instituições tiveram autonomia para elaborar seus calendários, desde que fossem respeitados os 200 dias letivos obrigatórios e os projetos pedagógicos de cada escola.

Questionado sobre a possibilidade de antecipar o início das aulas para janeiro, o presidente do Sinepe-BA, Wilson Abdon, afirmou que a principal preocupação é preservar a qualidade do calendário escolar.

“Queremos garantir um ano mais tranquilo, sem sobrecarregar os professores, famílias e a execução do projeto pedagógico das escolas. Ter tempo no final do ano para realizar os estudos de recuperação, a prova final, que muitos alunos acabam precisando”, afirmou.

Segundo Abdon, a imposição de 30 dias de férias no meio do ano pode comprometer atividades essenciais ao funcionamento das escolas.

“As escolas, nos seus calendários de trabalho, para além dos 200 dias letivos, têm também a semana pedagógica, o tempo de formação dos professores, de planejamento, tanto no início do ano como no final do ano, e você perder esse tempo, com certeza, ia gerar uma perda de qualidade e é um estresse, um excesso de trabalho durante o ano. Então, ter 30 dias, ser obrigada a dar 30 dias no meio do ano, prejudicando todo um calendário, todo o aprendizado, todo um ecossistema que já funciona, sob estresse, já funciona sob no limite, é muito complicado”, acrescentou.

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