terça-feira, 9 de junho de 2026

Irmãs de 109, 104 e 103 anos conquistam recorde mundial de longevidade: 'O segredo é saber viver'

Poucas famílias no mundo podem dizer que somam mais de três séculos de vida em apenas três pessoas. Levita, Zoraide e Zulina podem. Aos 109, 104 e 103 anos, as irmãs nascidas no interior de Sergipe acumulam 316 anos de vida e acabam de ser reconhecidas pela LongeviQuest como o trio de irmãs vivas mais longevo do planeta. Mais do que um recorde, a história das três sergipanas é uma travessia de mais de um século. E para quem se pergunta: "como chegar lá?", Zoraide entrega a receita: “Não existe segredo. Tem que viver tranquilo, não fazer mal a ninguém e pensar no dia de amanhã”, disse, em entrevista ao G1 Rio de Janeiro. Na visão de Zulina, a forma também é bem simples: “O segredo é saber viver.”

Elas nasceram quando o Brasil ainda era predominantemente rural, assistiram à chegada da televisão, dos automóveis em massa, da internet e dos celulares, criaram filhos, netos, bisnetos e tataranetos e enfrentaram perdas, mudanças e recomeços sem jamais romper o elo que as une desde a infância.Filhas de Manoel de Deus Nunes e Jovelina de Deus Nunes, nasceram em Cedro de São João, no interior de Sergipe — então distrito de Propriá — e cresceram em uma família de oito irmãos. Em uma época em que a vida era marcada pelo trabalho no campo e pela simplicidade, aprenderam desde cedo o compromisso de cuidar umas das outras.

Nascida em 7 de junho de 1917, Levita de Deus Nunes foi a segunda filha do casal e a primogênita entre os irmãos. Ainda jovem, assumiu responsabilidades que moldariam toda a sua trajetória. Enquanto os pais trabalhavam, era ela quem ajudava a administrar a casa, organizava a rotina doméstica e cuidava dos irmãos mais novos. Com o passar dos anos, transformou-se em uma espécie de segunda mãe para a família.

Esse papel se fortaleceu quando parte dos parentes migrou para o Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades. Por volta de 1953, Levita também deixou Sergipe para ajudar Zulina no difícil processo de adaptação à nova cidade. Embora nunca tenha oficializado uma união em cartório, dedicou a vida ao cuidado da família. Herdou da mãe o talento para os trabalhos manuais e encontrou no crochê, no tricô e na costura não apenas uma forma de sustento, mas também de expressão pessoal.

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