O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) autorizou a abertura de inquérito policial para investigar o prefeito de Rio de Contas, Célio Evangelista da Silva (PSD), conhecido como "Célio Vaqueiro".
A decisão, assinada pelo desembargador eleitoral Mauricio Kertzman Szporer no último dia 10 de março e publicada nesta quarta-feira (11), atende a um pedido da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) e visa apurar um esquema que envolveria financiamento não declarado de campanha, prática conhecida como "caixa dois", e contratações suspeitas da Prefeitura com empresas ligadas a um ex-gestor condenado por improbidade administrativa.
O caso teve origem em uma notícia de fato encaminhada pelo Ministério Público estadual e aponta supostas irregularidades nas eleições de 2024 e nos primeiros meses da atual administração. De acordo com a PRE, há fortes indícios de que as empresas Andressa Assunção Pessoa Ltda. e Pontual Contábil Ltda., contratadas diretamente pela prefeitura após a posse de Célio Vaqueiro, teriam financiado de forma oculta a estrutura de eventos de sua pré-campanha e campanha.
A denúncia que embasa a investigação detalha que a empresa Andressa Assunção Pessoa teria arcado com toda a estrutura de palco, som, luz e painéis de LED para comícios e para a festa de comemoração da vitória eleitoral, sem que esses custos aparecessem formalmente na prestação de contas do candidato.
O relator do processo destaca na decisão uma "disparidade entre a vultosa estrutura supostamente utilizada e o valor formalmente declarado" — de apenas R$ 11.180,00 para a locação de itens como palco e gerador. Como uma suposta contrapartida, a Prefeitura de Rio de Contas teria realizado, logo no início da gestão, a contratação direta dessas mesmas empresas para eventos como o Carnaval de 2025.
Um dos pontos centrais da suspeita é o envolvimento de Wilde José Cardoso Tanajura, ex-prefeito do município e atualmente condenado por improbidade administrativa, com pena que inclui a proibição de contratar com o Poder Público. Conforme os documentos juntados aos autos, Tanajura seria, de fato, o controlador das empresas beneficiadas. A investigação aponta que ele é sócio majoritário da Andressa Assunção Pessoa Ltda., que teve seu capital social aumentado de R$ 30 mil para R$ 500 mil entre 2022 e 2023, justamente no período que antecedeu as eleições.
Além das suspeitas de "caixa dois" e da tentativa de burlar a lei de licitações usando "laranjas", chama a atenção a forma como os contratos foram celebrados. A PRE questiona a Dispensa de Licitação nº 009/2025, que resultou no Contrato nº 023/2025, no valor de R$ 62 mil, para a estrutura do Carnaval, utilizando como justificativa um decreto de emergência no município.

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