Amplamente utilizada por crianças e jovens no mundo todo, a plataforma de jogos online Roblox se tornou, muitas vezes, um ambiente perigoso, devido à exposição a conteúdos violentos, cyberbullying e conteúdos de cunho sexual.
Apesar de ser um jogo infantil, liberado para crianças a partir de 5 anos, o acesso facilitado torna indispensável o acompanhamento e o diálogo dentro das famílias.
Em entrevista ao Acorda Cidade, a psicóloga Fabiana Cardeal aborda alguns dos perigos relacionados ao Roblox, além de explicar o termo em inglês ‘grooming’, que se refere a um processo de manipulação, no qual a maioria das vítimas são jovens ou menores de idade.
“Um dos perigos são pessoas adultas que se passam por crianças para terem um acesso mais facilitado às crianças e adolescentes. Existe também a questão da própria violência. As crianças entram em contato com conteúdos violentos, xingamentos, com um repertório, muitas vezes, de palavras que não são acostumadas dentro de casa, não são vivenciadas, e essas crianças passam a utilizar no cotidiano”, afirmou.
Teoria da “Necessidade de Pertencimento”
Em 1995, os psicólogos Roy Baumeister e Mark Leary criaram o conceito de “Necessidade de Pertencimento” (Need to belong). Nessa teoria, os seres humanos possuem uma motivação inata para formar e manter relacionamentos interpessoais significativos. Em consonância à teoria, a psicóloga Fabiana diz que as crianças e adolescentes precisam provar para alguns grupos, mesmo nas redes sociais, que elas fazem parte.
“Elas precisam ter comportamentos, se vestirem, muitas vezes, daquela forma que vai agradar aquele grupo. Então existem alguns traços de abusos que as crianças vêm enfrentando”, contou.
Chat online
Outra porta de entrada para abusos é o recurso do chat, que sofreu restrições em janeiro de 2026. O Roblox bloqueou esse recurso para menores de idade sem verificação com o objetivo de aumentar a segurança para os jovens.
“Imagine um jogo, uma plataforma de jogos online onde você pode imitar a vida real e você tem um chatzinho que pode conversar com seus amigos virtuais. Para uma criança que não tem amigos aqui do lado de fora, na “vida real”, ela pode pensar “eu tenho vários amigos nas redes sociais”, imagine que maravilha. Mas a gente precisa ter essa compreensão de que a gente coloca o Roblox como vilão, mas na verdade, os vilões são quem utiliza o Roblox. Porque nós, seres humanos, escolhemos se seremos bons ou ruins.”


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