Sentir cansaço frequente, dificuldade de concentração ou falta de disposição nem sempre é consequência da rotina corrida. Em muitos casos, esses sintomas podem estar relacionados à deficiência de ferro ou de vitamina B12, condições que estão entre as principais causas de anemia e podem comprometer a qualidade de vida das mulheres em diferentes fases da vida.
Para orientar o diagnóstico e o tratamento dessas deficiências, o Aché Laboratórios Farmacêuticos e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) lançaram o primeiro protocolo brasileiro voltado ao tema. O documento reúne recomendações para ajudar médicos a identificar, tratar e acompanhar pacientes com essas alterações nutricionais.
Segundo a Febrasgo, as deficiências de ferro e vitamina B12 podem provocar muito mais do que alterações nos exames de sangue. Entre os principais impactos estão fadiga persistente, redução da capacidade funcional, prejuízo cognitivo e perda da qualidade de vida. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 30,7% das mulheres entre 15 e 49 anos conviviam com anemia em 2023. A entidade estima ainda que, entre mulheres em idade reprodutiva, pelo menos metade dos casos esteja relacionada à deficiência de ferro.
Quem tem maior risco?
O protocolo destaca que algumas mulheres apresentam maior risco de desenvolver deficiência de ferro ou vitamina B12.
Entre elas estão:
mulheres com sangramento menstrual intenso;
gestantes e lactantes;
vegetarianas e veganas;
pacientes submetidas à cirurgia bariátrica;
pessoas com doenças gastrointestinais;
usuárias crônicas de determinados medicamentos.
Novo protocolo faz alerta
Uma das principais recomendações do documento é que médicos investiguem, ao mesmo tempo, a deficiência de ferro e de vitamina B12. Segundo os especialistas, as duas alterações podem ocorrer simultaneamente e até mascarar resultados laboratoriais, dificultando o diagnóstico quando apenas uma delas é considerada.
Além de orientar a investigação conjunta, o protocolo reúne critérios para diagnóstico e recomendações para individualizar o tratamento de acordo com a fase da vida da paciente, incluindo período reprodutivo, gestação, amamentação e menopausa.
Quando procurar ajuda
Especialistas orientam que mulheres com sintomas persistentes, como cansaço excessivo, fraqueza, queda de rendimento nas atividades diárias ou dificuldade de concentração procurem avaliação médica. O diagnóstico depende de exames laboratoriais e da análise clínica de cada paciente. A partir dos resultados, o médico pode identificar a causa da deficiência e indicar o tratamento mais adequado.
O protocolo foi apresentado durante o evento científico Tons da Anemia, realizado no fim de junho, em São Paulo, e está disponível para médicos associados da Febrasgo. Profissionais não associados também podem acessar o conteúdo por meio da plataforma CPV Profissionais, do Aché.

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