Uma greve nacional de caminhoneiros pode acontecer até o final de semana, de acordo com presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão. A declaração foi feito em meio aos rumores de paralisação.
Segundo Landim, a Abrava tem articulado com entidades estaduais para ampliar a adesão e alinhar uma eventual data única. "Pode acontecer até o fim de semana", disse à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A mobilização avançou após assembleia realizada na segunda-feira (16), no Porto de Santos, em São Paulo, que deliberou pela paralisação e reuniu lideranças de várias regiões do País.
Na primeira semana de março, o preço médio do S-10 subiu mais de 7%, segundo levantamento do setor, e continuou avançando ao longo do mês, levando o combustível a patamares próximos de R$ 6,90 por litro em média nacional, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O movimento ocorre em um ambiente de forte volatilidade internacional, com o petróleo acima de US$ 100 o barril.A tentativa do governo federal de conter a alta, por meio de pacote anunciado em 12 de março, com redução de tributos e subvenção ao diesel, teve efeito limitado após o reajuste promovido pela Petrobras no dia seguinte. Mesmo com o aumento de 11,6% nas refinarias, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) aponta que o preço ainda permanece abaixo do mercado internacional, indicando risco de novas pressões.
No frete, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou na sexta-feira (13) a tabela de pisos mínimos, com reajustes de até 7%, após a alta de mais de 13% no diesel acionar o gatilho previsto na Lei nº 13.703/2018. Para Chorão, no entanto, a medida tem alcance limitado sem fiscalização efetiva. "Esta semana saiu um gatilho dentro da lei 703, e até hoje não tem fiscalização, não tem pessoal cumprindo", afirmou.Além da recomposição do frete, a categoria mantém demandas estruturais, como a implementação do travamento eletrônico da planilha de custo mínimo operacional e a isenção de pedágio para caminhões vazios.

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