Quase 40 anos após a ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado no mundo, uma equipe de cientistas brasileiros celebrou o nascimento de um porco clonado. Ele marca uma etapa importante em um projeto ambicioso: a criação de animais geneticamente modificados para transplante de órgãos em humanos.
O animal nasceu em 24 de março. Está saudável e em uma fazenda em Piracicaba (a 160 km da capital paulista), segundo Ernesto Goulart, pesquisador do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) do Instituto de Biociências da USP.
A equipe responsável pelo feito diz ser o primeiro caso de clonagem da espécie na América Latina.
"São pouquíssimos grupos no mundo que conseguiram a clonagem animal e, entre os animais, o porco é o mais difícil de ser clonado. Como nosso grupo nunca havia trabalhado com esse procedimento, consideramos um sucesso essa etapa", afirma Goulart.
O leitão não tem as modificações genéticas necessárias para a captação de órgãos, porém é um primeiro passo. A equipe pretende agora implantar embriões geneticamente modificados para xenotransplante no futuro.
"Essa ideia de produzir suínos geneticamente modificados para um transplante em humanos é um sonho bem antigo da medicina, mas ele tinha muitas limitações, porque sempre tem a rejeição hiperaguda", afirma o pesquisador. A rejeição ocorre porque os humanos carregam anticorpos anti-suínos no sangue. "Em questão de horas, o corpo atacava aquele órgão, e não existiam ferramentas para lidar com isso."
Com o advento das técnicas de edição gênica, sobretudo a partir de 2012, como o Crispr-Cas 9 (ferramenta para edição molecular descoberta pelas cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna, que rendeu às duas o Nobel em Química em 2020), a modificação genética tornou-se mais fácil e também mais acessível a diversos laboratórios.

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